15 de junho de 2009

Manos de Topo

Já que quem canta, seus males espanta... música pra animar, vale?! =)

No final de semana passado fui assitir a banda Manos de Topo cujo baterista chama-se Rafael de los Arcos. Este show contou com a participação especial da violonista Sara Pérez. Então, eu não podia perder né? Fui prestigiar o casal de galegos da cidade de Vigo con quién comparto el piso (além da querida Nat, que vocês já conhecem). Então, não deixem de conferir as fotos do show que aconteceu em uma super casa de espetáculos em Barcelona: L'Auditori. Claro que de longe, com uma máquina fajuta (porque minha antiga quebrou e comprei uma baratinha) e uma fotógrafa que só tem vontade de ser boa um dia, as fotos não ficaram boas. Mas, para não ser viagem perdida, também coloquei as fotos do gato guapíssssimo que adora me fazer companhia quando estou estudando. ;)

Sobre a banda do Rafa, teve um dia que cheguei em casa e a Nat e a Sara estavam na sala lendo o jornal juntas, concentradas. Claro que eu fiquei curiosa e perguntei, "k se pasa, chicas? k están leyendo aíii?" (sintam meu tom coloquial já adicionada até a forma de escrever! jajajaja =) E a Sara me contou que a banda do Rafa tinha saído na capa da sessão cultura do jornal El Mundo descrita como uma das novas tendências da música pop espanhola. Esses dias eles também saíram no jornal Público. Ou seja, não é por nada não, mas aqui em Barcelona, Manos de Topo é uma big band! E o sucesso está só começando... eles acabaram de lançar o segundo CD, que se chama: El primero era mejor. A banda é mesmo muito boa, as letras falam de desilusión amorosa num tom de brincadeira, o mejor, de broma. E, o que no início pode soar estranho ou até... desagradável, torna-se o diferencial da banda: a voz do vocalista. Achei que não iria me acostumar, mas agora que virei fã da banda... tô curtindo os clips! =D Aliás, confiram os excelentes clips de El Cartero y Es feo.

Aguardo comentários, ok? =)

8 de junho de 2009

Luto

"Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre?
Sem saber, que o pra sempre sempre acaba..."

Depois de um final de maio tão bom, junho chega pra machucar, pra ensinar e pra ficar na história. Já tinha um tempo que eu estava pensando em escrever sobre outra Juliana: aquela que sofre, que perde, que tem medo; e sobre outra Barcelona: aquela que fede, que transborda de gente, que dá medo. Ainda não esqueci deste post, mas devido ao que aconteceu nos últimos dias, outro, tão triste quanto, teve que ocupar o seu lugar.

No primeiro dia do mês de junho, soube que a minha xará, cantora, 29 anos, que estava de férias em Brasília com a família, e que é irmã de um amigo do segundo grau (Luís), estava no vôo 447 da Air France, em direção a Alemanha. De fato, há muito tempo não conversava com ele, mas tenho muitas lembranças das conversas que tivemos no ônibus de volta pra casa, bem como memórias dele falando sobre ela: "Você vai se amarrar nas músicas da minha irmã, Juu!!!" E eu me lembro quando comprei o primeiro cd... Neste dia, foi difícil me concentrar, foi difícil dormir, foi difícil saber o que fazer.

Então, na terça, depois do almoço, ainda pra baixo, aproveitei pra checar meu e-mail antigo, aquele que a gente esquece de abrir e havia uma curta mensagem de um amigo que se lembrou de me comunicar: "Bruno Buckvic cumpriu sua missão neste planeta. Abriu o coração de todos a sua volta antes de partir... Que esse amor vibre e transborde dentro de nós! Obrigado, Bruno!" Apesar de otimista, a mensagem me deixou mais perdida, mais triste, mais impotente e com muita vontade de estar perto daqueles que eu sabia que estavam precisando de um forte abraço. Apesar de também não ter tido muito contato com o Bruno após o segundo grau, são muitas as memórias que guardo das conversas com o Mindu (irmão da Ju) e com o Bibi , que "voltavam comigo pra casa" quase todos os dias.

Como todas as decisões que enfrentamos ao longo da vida, decidir viver longe da família e dos amigos traz sempre uma porção de dúvidas. Pra mim, sem sombra de dúvida, aquela que mais me amedronta é passar longe de você, amiga, amigo, um momento difícil, seja ele qual for. Engraçado que não me preocupo muito se eu precisar de um colo, se eu ficar doente, se eu partir... mas tenho muito medo disso acontecer com você e eu não puder estar presente. Essa onda de dor, medo e insegurança que o início do mês de junho carregou me despertou uma enorme vontade de dizer pra você: não deixe para daqui a pouco o que você quer fazer agora. Aproveitemos cada dia como se fosse o último. A gente sabe disso, mas é sempre bom relembrar.

Como amiga e psicóloga, relembro também aos meus amigos que estão de luto que o sintam na sua plenitude e descubram a forma como preferem experenciá-lo. Engana-se quem crê que aquele que está de luto chora sem parar e precisa estar entre amigos. Alguns sim, mas outros ficam mudos e preferem passar alguns dias longe das pessoas. Como defensora de que a terapia nada mais é que uma entre diversas formas que temos de nos auto-conhecer, sugiro que todos nós procuremos ajuda psicológica para se conhecer e reconhecer de que forma preferimos sentir essa perda e aprender a lidar com ela. Fugir ou evitar o luto não diminuirá a dor e não fará com que esqueçamos o que aconteceu.

E como infelizmente qualquer um de nós pode ser alvo de uma tragédia como essa, confesso que eu me imaginei muitas vezes como a Juliana que mora na Europa e foi a Brasília passar uns dias com a família; aliás, é isso que eu farei em agosto próximo, e fiquei com vontade de expressar que, se um dia eu partir antes do esperado, saiba que "voltei pra casa" feliz. E que se não for possível alcançar todos os meus sonhos, assim como a Juliana Aquino e o Bruno Bukvic, alcancei todos os que pude e os vivi intensamente. E não é isso que importa?

Envio, por meio desta tela fria, um caloroso abraço a todos aqueles que ficaram tristes com a partida da Juliana, do Bruno ou de qualquer pessoa que se foi e que faz falta... Transmito o meu desejo de que enfrentem esse momento com muita garra e que se permitam o tempo que for necessário para se reerguer. Peço aos meus outros amigos que estão em Brasília que abracem você por mim e compartilho minhas lágrimas como expressão do carinho que sinto por vocês! Por mais cruel, inacreditável e inexplicável que sejam essas tragédias que temos visto pelo mundo, jamais podemos esquecer que "nada vai conseguir mudar o que ficou". Eu acredito nisso...

24 de maio de 2009

A sumida se achou!

Nossa, há quanto tempo não apareço por aqui. Não, não vou vir com a desculpa que é falta de tempo porque quando queremos fazer alguma coisa, fazemos e ponto. Encontramos o tempo que for preciso, priorizamos, custe o que custar! Por isso, saibam que não sumi por mal, ok? E que eu simplesmente nunca me senti tão bem. Sabe quando as coisas começam a fazer sentido? E aquela perda se encaixa em um delicioso encontro? E você se dá conta que não sabia que a vida podia ser ainda melhor?

Nao tem jeito. Morar fora, conhecer pessoas de culturas e lugares diferentes, sentir-se só é a melhor forma de conhecer a si mesmo. Meus primeiros meses em Barcelona confirmaram com todas as letras o que eu já sabia: sou transparente como as cachoeiras do cerrado e como os mares de Cadaqués. Não consigo esconder o que penso, nem o que sinto. Só que eu achava que deveria mudar um pouco isso. Com tanta porta na cara nos meses passados, achava que tinha aprendido que estava na hora de guardar e aguardar por certas coisas na vida. Mas aí vem a Espanha e me diz: mira chica, hay un lugar en el mundo en que puede ser usted, como és, como queiras! Pois se a Juliana Fernández estava sumida, na verdade acho que ela nunca havia se conhecido e agora se achou!

Em Barcelona, não há regras. Quando perguntei a espanhola que mora comigo assim que cheguei "Então, Sara, como é que funciona o cuidado com a casa, a limpeza e essas coisas?" Ela me respondeu assertiva: "É assim, Juliana, qndo você sentir que está sujo, limpa. Parte do seu bom senso e da sua vontade. Não sou ninguém pra dizer o que você deve fazer ou deixar de fazer e também não impomos regras nem horários, a rotina já nos impõe demasiado deles". Em Barcelona, faz-moda e não existe certo e errado quando o assunto é: como vou cobrir o meu corpo hoje? E até hoje me arrependo de não estar com a máquina fotográfica no dia que vi uma senhora de sapatos roxos, saia laranja, óculos de armação verde e cabelos.. vermelhos! Curtinhos e bem pentados. Charmosa que só ela! Eu nunca tinha visto jaqueta de plástico, vestido de papel, saias estampadas com galinhas que custam 70€ e as jovens se desesperam pra comprar (vide loja Desigual). Eu nunca tinha visto tanta mulher de topless na praia, ou, no terraço da academia de ginástica, por que não?! Em Barcelona, sabe-se aproveitar o dia. Acorda-se por volta das 9h, y despues del desayuno a las 10, a parada pro almoço é das 14 às 16h. E a parada é assunto sério. Confesso que nunca vi ninguém dormindo em cima das mesas, mas com exceção dos restaurantes e de algumas farmácias, todo o resto, eu disse, todo o resto.. fecha! E aos domingos, nem os restaurantes salvam (alguns abrem). Então, há gente que diz: "God, bless the chinese!" porque são os únicos que abrem suas tiendas no primeiro dia da semana. Quem não se programou pra fazer compras nos outros dias, vai ter que pagar mais caro no mercadinho do chinês da esquina (ou no paquistanês).

Olha, então, se eu demorar pra postar de novo, é porque devo estar na internet a procura de bolsas para o doutorado. Ou estou escrevendo minha dissertação de mestrado, Ou tô ali fazendo yoga aqui na academia ao lado. Mas posso estar também no Cine Verdi, no bar do teatro (Teatreneu), na exposição do Sorolla (virei fã e ganhei 3 pôsters! =), ou assistindo o jogo do Barça (quarta agora? a galera já marcou o bar a partir das 19:30). Pode ser também que esteja recebendo visitas ou acertando os planos das viagens para julho. Na verdade, é muito provável que esteja fazendo tudo isso junto com gosto de Colômbia, y con mucho gusto, diga-se de passagem (?!) ou então estou descansando pelas praias da Catalunya... como eu fiz hoje o dia inteiro...


Da cor da areia, mas isso é só uma questão de tempo =)

16 de abril de 2009

Viviendo todos los instantes

Manhã de terça-feira, estava eu sentada no chão do gabinete da minha orientadora entre un monton de artigos, livros, anais de Congressos, dissertações e teses buscando mais referências para enriquecer a minha revisão da literatura. Até que me surge uma literatura que me encanta!

Instantes (Nadine Stair)

Si pudiera vivir nuevamente mi vida,
En la próxima trataría de cometer más errores.
No intentaría ser tan perfecto, me relajaría más.
Sería más tonto de lo que he sido, de hecho
tomaría muy pocas cosas con seriedad.
Sería menos higiénico.
Correría más riesgos, haría más viajes, contemplaría
más atardeceres, subiría más montañas, nadaría más ríos.

Iría a más lugares adonde nunca he ido, comería
más helados y menos habas, tendría más problemas reales y menos imaginarios.
Yo fui una de esas personas que vivió sensata y prolíficamente
cada minuto de su vida; claro que tuve momentos de alegría.
Pero si pudiera volver atrás trataría de tener solamente buenos momentos.
Por si no lo saben, de eso está hecha la vida, sólo de momentos;
no te pierdas el ahora.

Yo era uno de esos que nunca iban a ninguna parte sin termómetro,
una bolsa de agua caliente, un paraguas y un paracaídas;
Si pudiera volver a vivir, viajaría más liviano.
Si pudiera volver a vivir comenzaría a andar descalzo a principios
de la primavera y seguiría así hasta concluir el otoño.
Daría más vueltas en calesita, contemplaría más amaneceres
y jugaría con más niños, si tuviera otra vez la vida por delante.
Pero ya tengo 85 años y sé que me estoy muriendo.

Decidi que o poema entra na minha dissertação, só que entre os capítulos. Para contrapor os textos escritos com tamanha racionalidade, para levar um pouco de emoção ao meu futuro leitor e para expressar o quanto a iniciante pesquisadora tem aprendido e posto em prática ao ler sobre o processo de envelhecer...