24 de maio de 2009

A sumida se achou!

Nossa, há quanto tempo não apareço por aqui. Não, não vou vir com a desculpa que é falta de tempo porque quando queremos fazer alguma coisa, fazemos e ponto. Encontramos o tempo que for preciso, priorizamos, custe o que custar! Por isso, saibam que não sumi por mal, ok? E que eu simplesmente nunca me senti tão bem. Sabe quando as coisas começam a fazer sentido? E aquela perda se encaixa em um delicioso encontro? E você se dá conta que não sabia que a vida podia ser ainda melhor?

Nao tem jeito. Morar fora, conhecer pessoas de culturas e lugares diferentes, sentir-se só é a melhor forma de conhecer a si mesmo. Meus primeiros meses em Barcelona confirmaram com todas as letras o que eu já sabia: sou transparente como as cachoeiras do cerrado e como os mares de Cadaqués. Não consigo esconder o que penso, nem o que sinto. Só que eu achava que deveria mudar um pouco isso. Com tanta porta na cara nos meses passados, achava que tinha aprendido que estava na hora de guardar e aguardar por certas coisas na vida. Mas aí vem a Espanha e me diz: mira chica, hay un lugar en el mundo en que puede ser usted, como és, como queiras! Pois se a Juliana Fernández estava sumida, na verdade acho que ela nunca havia se conhecido e agora se achou!

Em Barcelona, não há regras. Quando perguntei a espanhola que mora comigo assim que cheguei "Então, Sara, como é que funciona o cuidado com a casa, a limpeza e essas coisas?" Ela me respondeu assertiva: "É assim, Juliana, qndo você sentir que está sujo, limpa. Parte do seu bom senso e da sua vontade. Não sou ninguém pra dizer o que você deve fazer ou deixar de fazer e também não impomos regras nem horários, a rotina já nos impõe demasiado deles". Em Barcelona, faz-moda e não existe certo e errado quando o assunto é: como vou cobrir o meu corpo hoje? E até hoje me arrependo de não estar com a máquina fotográfica no dia que vi uma senhora de sapatos roxos, saia laranja, óculos de armação verde e cabelos.. vermelhos! Curtinhos e bem pentados. Charmosa que só ela! Eu nunca tinha visto jaqueta de plástico, vestido de papel, saias estampadas com galinhas que custam 70€ e as jovens se desesperam pra comprar (vide loja Desigual). Eu nunca tinha visto tanta mulher de topless na praia, ou, no terraço da academia de ginástica, por que não?! Em Barcelona, sabe-se aproveitar o dia. Acorda-se por volta das 9h, y despues del desayuno a las 10, a parada pro almoço é das 14 às 16h. E a parada é assunto sério. Confesso que nunca vi ninguém dormindo em cima das mesas, mas com exceção dos restaurantes e de algumas farmácias, todo o resto, eu disse, todo o resto.. fecha! E aos domingos, nem os restaurantes salvam (alguns abrem). Então, há gente que diz: "God, bless the chinese!" porque são os únicos que abrem suas tiendas no primeiro dia da semana. Quem não se programou pra fazer compras nos outros dias, vai ter que pagar mais caro no mercadinho do chinês da esquina (ou no paquistanês).

Olha, então, se eu demorar pra postar de novo, é porque devo estar na internet a procura de bolsas para o doutorado. Ou estou escrevendo minha dissertação de mestrado, Ou tô ali fazendo yoga aqui na academia ao lado. Mas posso estar também no Cine Verdi, no bar do teatro (Teatreneu), na exposição do Sorolla (virei fã e ganhei 3 pôsters! =), ou assistindo o jogo do Barça (quarta agora? a galera já marcou o bar a partir das 19:30). Pode ser também que esteja recebendo visitas ou acertando os planos das viagens para julho. Na verdade, é muito provável que esteja fazendo tudo isso junto com gosto de Colômbia, y con mucho gusto, diga-se de passagem (?!) ou então estou descansando pelas praias da Catalunya... como eu fiz hoje o dia inteiro...


Da cor da areia, mas isso é só uma questão de tempo =)

16 de abril de 2009

Viviendo todos los instantes

Manhã de terça-feira, estava eu sentada no chão do gabinete da minha orientadora entre un monton de artigos, livros, anais de Congressos, dissertações e teses buscando mais referências para enriquecer a minha revisão da literatura. Até que me surge uma literatura que me encanta!

Instantes (Nadine Stair)

Si pudiera vivir nuevamente mi vida,
En la próxima trataría de cometer más errores.
No intentaría ser tan perfecto, me relajaría más.
Sería más tonto de lo que he sido, de hecho
tomaría muy pocas cosas con seriedad.
Sería menos higiénico.
Correría más riesgos, haría más viajes, contemplaría
más atardeceres, subiría más montañas, nadaría más ríos.

Iría a más lugares adonde nunca he ido, comería
más helados y menos habas, tendría más problemas reales y menos imaginarios.
Yo fui una de esas personas que vivió sensata y prolíficamente
cada minuto de su vida; claro que tuve momentos de alegría.
Pero si pudiera volver atrás trataría de tener solamente buenos momentos.
Por si no lo saben, de eso está hecha la vida, sólo de momentos;
no te pierdas el ahora.

Yo era uno de esos que nunca iban a ninguna parte sin termómetro,
una bolsa de agua caliente, un paraguas y un paracaídas;
Si pudiera volver a vivir, viajaría más liviano.
Si pudiera volver a vivir comenzaría a andar descalzo a principios
de la primavera y seguiría así hasta concluir el otoño.
Daría más vueltas en calesita, contemplaría más amaneceres
y jugaría con más niños, si tuviera otra vez la vida por delante.
Pero ya tengo 85 años y sé que me estoy muriendo.

Decidi que o poema entra na minha dissertação, só que entre os capítulos. Para contrapor os textos escritos com tamanha racionalidade, para levar um pouco de emoção ao meu futuro leitor e para expressar o quanto a iniciante pesquisadora tem aprendido e posto em prática ao ler sobre o processo de envelhecer...

7 de abril de 2009

Feijoada completa

Eu estava esperando passar os meus 24 anos em Barcelona. Mas pra passagem ser completa, tinha que ter feijoada, sol à vista, caipirinha, muito samba e pessoas especiais. Ah mas só? Era um sonho, neles entram tudo, fazer o quê? Entra a cidade nova e os prazeres antigos, não dá pra ser? Bem, na época mesmo não deu não. O Edu, meu amigo português do master, desde já, quando comecei a perguntar sobre casas de samba em Barcelona, me advertiu: “- Ô Ju, mas você acha que a francesa, a canadense e a nossa colega da Moldávia vão gostar de ir pra um samba???” Tá bem, Edu, sei que você odeia samba e concordo contigo que é bom pensar nos convidados quando a heterogeneidade é significativa e muito bem-vinda. No final, o que importa é que comemorei duplamente e estive em contato com as pessoas mais especiais de muito e de pouco tempo.

Até que, quando eu menos esperava, na semana em que uma almejada viagem havia sido cancelada - por razões não muito bem divulgadas, é verdade - minha amiga brasileira Sabrina me disse que iria rolar feijoada com samba e caipirinha na casa dela no final-de-semana!!! Já me prontifiquei a ajudar no preparo mas a Sá disse: “Ju, fica tranquila que no sábado a gente toma conta do samba. Quem vai pra cozinha dessa vez é o Mateus!”

Um pouco atrasadas devido a troca de chaves das visitas que tinha em casa, Liça e eu chegamos por volta das 16h no evento. Espanha, Brasil, França, Canadá e Venezuela representavam a amostra daquela turma que tomava cerveja e conversava sobre esterótipos, papo típico quando a turma é internacional. Depois que passamos pra caipirinha o tema mudou eu não me lembro bem porquê. O assunto da vez era grafologia. Um espanhol amigo do Mateus tinha feito um curso nessa área e começou a explicar que as pessoas que escrevem ocupando mais a parte superior das linhas são mais sonhadoras, vivem no mundo da lua e mais planejam do que concretizam. Já aquelas que dão mais peso às letras abaixo das linhas são tão proativas que mal sabem o que é esperar. Existem ainda os mais comedidos, que encontram um equilíbrio, e ainda aqueles que exageram tanto nas letras acima quanto naquelas abaixo da linha. Eu fiquei discreta, rindo baixinho porque tenho um blog de sonhadora mas as pernas dos meus “J”s e“G”s costumam alcançar 2 ou até 3 linhas láaaa de baixo… Será que isso quer dizer mesmo alguma coisa?

A conversa ao longo daquela deliciosa tarde de sábado me fez lembrar não apenas de Feijoada completa. Chico, desculpe, eu sei que estava a criticar a forma passiva como aquele pedreiro levava a vida e eu também discordo, lembra do meu primeiro post do ano? Mas é que a menina das letras de longas pernas não quer fazer planos nem a curto nem a longo prazo. A cidade escandalosa que não pára tem me ensinado tanto a esperar... E eu ando penseira como nunca... Não sei se é por causa da saudade de esperar o sol, o trem, o carnaval ou o mês que vem...

O convite a feijux foram preparados pelo Mateus. Ambos ficaram ótimos!

27 de março de 2009

Ao invés de Itália, Inglehart

"As one would expect, rising income levels go with rising levels of happiness and life satisfaction. The peoples of rich societies are happier than those of poor societies. The overall correlation is very strong (0.68). But beyond a certain point, the curve levels off. As we move from low-income societies to high-income societies, there is a steep increase in subjective well being. But the impact of rising income stops when we reach the threshold of $10,000. Beyond that point, there is practically no relationship between income and subjective well-being. The Irish are happier than the Germans, although the Germans are twice as wealthy. And the Taiwanese are as happy as the Japanese although the Japanese are three times as wealthy."
(Inglehart, 2000, p. 218)
Acabei de enviar um e-mail a companhia com quem comprei minha passagem Barcelona-Milão ida e volta por apenas 62 Euros e solicitei o cancelamento da viagem para a tão esperada nada santa semana. Well, at least, they already answered that they will refund all taxes back (And I've got very happy that it means 55 euros! =) De ontem pra hoje, ao me debruçar, encantar e revoltar com os resultados encontrados pelo cientista político Ronald Inglehart ao coordenar o World Values Survey, me dei conta de que não vou conseguir terminar os 3 essays solicitados pelo Professor da Tasmânia: Lindsay Nelson (que eu achava que era uma mulher canadense devid a rumores de que teríamos aula com uma professora de lá...) e o assignment sobre o excelente livro do Engels com os detalhes que o Prof. Joseph Bosch requer se eu for curtir sob o sol de Toscana daqui a uma semana...

Mas Veneza, Florença, Arezzo, Siena, San Gimignano, Cesena e Bolonha estarão sempre por lá, né? Mais quentinha ainda pra me receber mais à frente? Tânia, Pedro, Ju Giraldo e Lud podem me acolher daqui a alguns meses? =) Então, vou passar a páscoa aqui mesmo com as minhas novas colegas do master, muito chocolate e os escritos do Inglehart, Engels, Garcia Márquez, Florbela Espanca... porque estoy mucho bien así y todavía tengo mucho que descubrir en Barcelona...