13 de setembro de 2008

Máfia eterna e Manoel: amo muito!


Nem acredito na quantidade de coisas que fiz do dia 4 ao dia 13 de setembro: conheci a faculdade de psicologia (e outras), fiquei 2 dias em hotel, conheci algumas praças da cidade de coimbra, mudei para o apartamento, fiz todas as compras essenciais da casa, pesquisei, escolhi e comprei meu portátil (notebook=), pesquisei opções de internet, escolhi e estou com net em casa, agendei a renovação do meu visto, abri uma conta no banco, fui ao posto de saúde me cadastrar, peguei minha carteirinha de estudante, conheci alguns colegas do mestrado. E no meio disso tudo, passei 3 dias e meio em Porto na casa onde a Vanessa (minha amiga da psicologia) vai ficar por seis meses. Cidade fantástica! Ainda vou voltar!!! E em todo esse tempo tenho conhecido aos poucos a Carine (Cary) que é de Salvador, também passou nesse mestrado e está morando comigo. Um dia escreverei mais sobre ela, mas já posso dizer que estamos construindo uma linda amizade! =)

Antes de contar sobre a minha nova morada, nova cidade, novos amigos, quero dedicar este primeiro post às minhas amigas e amigos que ficaram, em especial à máfia eterna, meu grupo de amigas de infância composto por 3 grandes mulheres: Hyrla Moss (miguxa), Fernanda Lima (feguxa) e Ana Luiza Alvim (baiana). Elas me deram, no dia da minha partida, dois presentes que eu não esperava receber e que estão aqui comigo, fazendo parte do meu dia-a-dia.

O primeiro presente é o Manoel, um hipopótamo lilás muito corajoso que, sem me conhecer, embarcou comigo para Portugal logo depois de nascer e tem me feito companhia desde então. Ele veste uma cueca boxer muito sexy e seu nome completo é Manoel Seidl Lima Alvim da Silva =). Ele nasceu no dia da minha partida (03/09) com 240 gramas e 38 cm (felizmente, vai permanecer assim =). Eu não inventei essas informações. Ele veio com certidão de nascimento e com tudo isso escrito.

O outro presente… ainda me emociono toda vez que eu o vejo... é um caderno personalizado. A capa é o verbete “friend” sendo que algumas palavras foram modificadas para se adaptar ao nosso grupo (vide foto no álbum “partida” no meu Picasa). E a contracapa… são 5 recadinhos: um da miguxa, outro da feguxa, um da Bá, um da mamãe e outro do papai me encorajando a estar aqui!!! Chorei muito quando vi. Com ele, posso levar as palavras dos 5 todos os dias pra faculdade!!! Já na contracapa da capa de trás está o “making off”, ou seja, os e-mails trocados da miguxa com as meninas, com a momis e o papai para confeccionar o belo caderno.

Dedico este post à criatividade: a máfia me mostrou o quanto ela é capaz de emocionar. Dedico este post às surpresas: porque eu nem imaginava que receberia um hipopótamo de pelúcia; um caderno com recadinhos; um cartão, uma foto e um brinco de flor feito com escamas de peixe (Taci); um cartão e um girassol enorme natural (Angel); um lindo cartão (Fê psicologia); um conjunto de brinco e colar de prata e pedras com cartão (Yara); uma ligação de Syracuse um dia antes da partida (Fezita), cartas e fotos de vocês, leitores-queridos… obrigada!!!

Dedico este posts às amizades verdadeiras: aquelas capazes de perdurar mesmo com a distância.

Vamos conseguir, né?!

3 de setembro de 2008

Música de despedida

Gente, minha partida será daqui a 5 horas. Venho, então, escrever meu último recadinho na minha super máquina que me acompanhou nesses últimos 3 anos (que vai ficar com a mamãe), nessa cadeira giroflex que vou morreu de saudades (porque a do meu apto não deve ser tão boa assim) e dentro no meu quarto aconchegante onde deixarei minhas colcha lilás maciiia, que me embalou por muitas noites, e o meu quadro querido "Menina à janela" do Dalí...

Agradeço imensamente pela presença de vocês nas minhas festividades formatológicas! Construir esse momento inesquecível ao longo de um ano com a Laly, a Lili, a Rafa, o Bê e o Fê, ver a Gardênia, Regina, Inês e Penha dançando rap, fazer um lual improvisado na casa da Lidinha no final da aula da saudade, encontrar o André pra vê-lo cantar antes de todo mundo, receber o diploma das mãos da mamãe, fazer o discurso da homenagem aos pais, ser parte da galera da resistência tanto na colação como no baile, representar a água dentre os quatro elementos no nosso culto ecumênico, descer as escadas ao lado do papai e da mamãe ao som de "A menina dança" dos Novos Baianos e compartilhar com vocês fisicamente esses momentos foi surreal!!! Ester, Baiana e Fezita, entendo que não puderam estar presentes fisicamente. Mas, vocês estavam dentro de mim dançando muuuuuito!!! Nossa, a gente não parou um segundo! ;)

Nesses últimos dias, uma letra de música marcou a mim, e acredito que a muitos de meus amigos e colegas também. Aliás, esse é um apelo aos oradores - Bê e Belinha - que enviem o discurso da turma para nós psicólogos e psicólogas do 1/2008, já que eles se inspiraram nessa letra para fazê-lo.

Tocando em frente (Almir Sater e Renato Teixiera)

Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, e no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz


Ficamos em contato por aqui, ok?!

4 de agosto de 2008

Todo dia é dia!

Encontro-me num momento em que agradecer às pessoas pela conquista a qual vou desfrutar daqui a exatamente 1 mês é muito importante pra mim. Espero, nos próximos posts, falar um pouco sobre o que aprendi com você, leitor-amigo. Hoje, é dia de falar sobre uma das lições que os meus pais, meus eternos amigos-heróis, deixaram pra mim.
Lembro como se fosse hoje de um papo que rolava geralmente por volta da quinta, sexta-feira quando eu estava lá pela oitava série: "-Ai caramba, papai disse que se eu não tirar 8 na prova de matemática, não vou poder ir na festinha da Lu no sábado" - dizia uma colega minha. E a outra, angustiada: "-Sério?! Só 8? Minha mãe quer ver meu boletim e disse que vai tirar minha mesada se eu não estiver com tudo acima de 9". Achava estranho esses comentários, mas ficava sem graça de perguntar o motivo pelo qual os pais delas diziam isso... meus pais nunca tinham dito aquilo pra mim, e eu também ficava sem entender porquê.
Mamãe sempre foi muito animada e sempre teve muitas amigas. Lembro de uma época que ela costumava dançar todas as quintas-feiras. E domingo no final da tarde? Pode ter certeza: ela foi ao cinema. Mas também é super comum vê-la trabalhar aos sábados (o dia todo) e, em alguns finais-de-semana ela não para! Passa o dia batendo perna: da academia pro salão, do salão pro almoço com a tia, do almoço com a tia pra feira, da feira pra casa, da casa pro barzinho com as amigas! Quando me via muitas horas sentada na escrivaninha, ela já gritava: "Julianaaa, sai daí um pouco, minha filha! Vai fazer o que hoje? Olha, tem uma peça de teatro na Caixa que está fantástica!".
Já papai sempre foi mais caseiro. Não conheço ninguém no mundo que lê tanto como ele. Literatura, história, direito, principalmente. Mas papai lê de tudo (que considera de qualidade) e a Folha? Todos os dias. Ele adora encontrar os amigos e, pra isso, não há dia definido: qualquer dia da semana à noite ele se reúne com o pessoal do Debater na casa dele (uma ONG que recruta professores para dar aulas pré-vestibular numa cidade satélite no DF de modo que o objetivo é tentar ajudar àqueles que não tiveram condições de estudar num colégio particular a entrar na Universidade pública). Ah, ele também faz parte de um grupo de leitura que costuma almoçar junto pra discutir um livro que todos leram no prazo de um mês. Quando esse encontro acontece? Geralmente às sextas, mas pode ser que seja outro dia. Caminhar no parque é uma atividade que o papai faz com frequência e com prazer, no dia que der tempo. E além de trabalhar de segunda à sexta, pode ser que precise trabalhar sábado e domingo, também.
Observava, desde pequena, na casa de alguns colegas, que trabalho e lazer eram vistos como trabalho versus lazer e, assim, encontravam-se em mundos, pólos e lugares diferentes, de modo que primeiro deveria vir o trabalho, a obrigação (e a fala já carregava o peso da origem do termo "trabalho": tripalium - instrumento em forma de tripé que era utilizado para torturar as pessoas) e só depoooois, como uma espécie de recompensa, viria o prazer. Ué? Mas, calma aí? Trabalhar não pode ser divertido? Lá em casa, trabalho e lazer sempre se misturaram, se confundem e andam juntos. Prova de literatura? "-Não, filha, não precisa pegar o livro da escola não, olha só aqui essa música do Chico: 'Pedro, pedreiro, penseiro esperando o trem' é uma figura de linguagem chamada aliteração em que se repete consoantes, vogais ou sílabas num só verso." E a gente jantava e tentava encontrar isso em outras músicas... nunca esqueci!!!
Hoje em dia, vivo com esse lema: todo dia é dia! Tomar sorvete de frutas vermelhas e nutella na Sorbê às terças é muito mais gostoso que aos sábados. Eu digo e repito isso, mas ninguém acredita! =) Ir ao clube às sextas-de-manhã é melhor que aos domingos porque dá pra ver os micos leões-dourados de um lado pro outro. Todo dia é dia de começar um bom livro, de olhar pela janela do quarto, andar de patins, aprender uma nova língua, comer bem e d e m o r a a a d a m e n t e, reunir os amigos, ir ao mercado buscar a fruta da estação, conhecer um novo café, ouvir aquela música, de trabalhar durante horas naquele projeto, rir de si mesmo e, em tudo isso: aprender, estudar, ensinar...
Meus pais me mostraram que a vida só tem sentido quando a gente ama o que faz. E, vivendo assim, cada ação é capaz de trazer alegria, cada gesto tem seu valor e cada vitória pode acontecer a qualquer momento, em qualquer dia. Pai, mãe: obrigada! Amo vocês todos os dias, dia após dia, cada dia mais e mais.

21 de julho de 2008

Gosto de chorinho, de chorar baixinho

não se culpe, ju!!! cara, olha tanta coisa acontecendo ao seu redor. é eu sei mas isso não justifica sabe tô muito oito oitenta tô muito feliz e às vezes tô muito triste tô cansada de mim mesma tô cansada de chorar por tudo choro pela saudade que eu já sinto pela alegria dessa nova vida que está por vir pela relação que não poderei construir pela felicidade da conquista choro baixinho choro soluçando escondido e na frente das pessoas em qualquer hora ou lugar independente de quem está ao meu redor não consigo controlar se alguém começa a dizer quie vai sentir minha falta lá vem ela imagina no meio do bar a galera alegre feliz bebendo e se divertindo e eu chorando por saber que estarei longe daquelas pessoas em breve putz dói muito cansei eles devem ter pensado que eu devia estar bêbada já mas nem estava juuuuuro. vc sempre foi chorona, juuuu! é a sua forma de colocar suas emoções, sejam elas alegres ou tristes pra fora. juliana seidl é mateiga derretida e acabou. é o seu jeito: se respeite, poxa. quem não entende, não é seu amigo. e com esses, vc não precisa se preocupar. (manda eles, internamente, tá?! praquele lugar!!!) pare de se cobrar, amiga. eu não sei como eu estaria dando conta de tantas obrigações e perdas que você ainda vai enfrentar. me sinto uma idiota uma imatura queria voltar atrás não acho que eles merecem poderia ter sido diferente não não me culpo mas me arrependo é diferente é diferente e o mais engraçado é que as dúvidas se foram é tô bem certa agora bastante reconheço que poderia ir mais madura pessoal e profissionalmente reconheço sim e isso pra mim já é um indicador de que devo e posso ir e vou crescer por lá mais e mais a partir de agora só que elas é as lágrimas saem quando eu menos espero quando eu menos quero muitas vezes.
ju, vai tomar um banho, calma, respira. se permita parar. quando quiser. e chore, chore, chore - toda vez que der vontade. acho que dessa vez eu mudei sabia esses últimos dias me ensinaram muito mas muito mais do que eu poderia imaginar não que eu vá parar de chorar porque realmente não consigo mas eu quero enfrentar tudo isso de modo diferente pra valer é pra valer agora. nos próximos dias, quero passar a encarar essa realidade com mais tranquilidade. minha vida estava sem pausa, sem pé nem cabeça! agora eu a quero com vírgula, com coragem, maturidade, aspas e ponto final (.)

"Tem mais samba no encontro que na espera
Tem mais samba a maldade que a ferida
Tem mais samba no porto que na vela
Tem mais samba o perdão que a despedida
Tem mais samba nas mãos do que nos olhos
Tem mais samba no chão do que na lua
Tem mais samba no homem que trabalha
Tem mais samba no som que vem da rua
Tem mais samba no peito de quem chora
Tem mais samba no pranto de quem vê
Que o bom samba não tem lugar nem hora
O coração de fora
Samba sem querer

Vem que passa
Teu sofrer
Se todo mundo sambasse
Seria tão fácil viver"

(Chico Buarque - Tem mais samba)