21 de julho de 2008

Gosto de chorinho, de chorar baixinho

não se culpe, ju!!! cara, olha tanta coisa acontecendo ao seu redor. é eu sei mas isso não justifica sabe tô muito oito oitenta tô muito feliz e às vezes tô muito triste tô cansada de mim mesma tô cansada de chorar por tudo choro pela saudade que eu já sinto pela alegria dessa nova vida que está por vir pela relação que não poderei construir pela felicidade da conquista choro baixinho choro soluçando escondido e na frente das pessoas em qualquer hora ou lugar independente de quem está ao meu redor não consigo controlar se alguém começa a dizer quie vai sentir minha falta lá vem ela imagina no meio do bar a galera alegre feliz bebendo e se divertindo e eu chorando por saber que estarei longe daquelas pessoas em breve putz dói muito cansei eles devem ter pensado que eu devia estar bêbada já mas nem estava juuuuuro. vc sempre foi chorona, juuuu! é a sua forma de colocar suas emoções, sejam elas alegres ou tristes pra fora. juliana seidl é mateiga derretida e acabou. é o seu jeito: se respeite, poxa. quem não entende, não é seu amigo. e com esses, vc não precisa se preocupar. (manda eles, internamente, tá?! praquele lugar!!!) pare de se cobrar, amiga. eu não sei como eu estaria dando conta de tantas obrigações e perdas que você ainda vai enfrentar. me sinto uma idiota uma imatura queria voltar atrás não acho que eles merecem poderia ter sido diferente não não me culpo mas me arrependo é diferente é diferente e o mais engraçado é que as dúvidas se foram é tô bem certa agora bastante reconheço que poderia ir mais madura pessoal e profissionalmente reconheço sim e isso pra mim já é um indicador de que devo e posso ir e vou crescer por lá mais e mais a partir de agora só que elas é as lágrimas saem quando eu menos espero quando eu menos quero muitas vezes.
ju, vai tomar um banho, calma, respira. se permita parar. quando quiser. e chore, chore, chore - toda vez que der vontade. acho que dessa vez eu mudei sabia esses últimos dias me ensinaram muito mas muito mais do que eu poderia imaginar não que eu vá parar de chorar porque realmente não consigo mas eu quero enfrentar tudo isso de modo diferente pra valer é pra valer agora. nos próximos dias, quero passar a encarar essa realidade com mais tranquilidade. minha vida estava sem pausa, sem pé nem cabeça! agora eu a quero com vírgula, com coragem, maturidade, aspas e ponto final (.)

"Tem mais samba no encontro que na espera
Tem mais samba a maldade que a ferida
Tem mais samba no porto que na vela
Tem mais samba o perdão que a despedida
Tem mais samba nas mãos do que nos olhos
Tem mais samba no chão do que na lua
Tem mais samba no homem que trabalha
Tem mais samba no som que vem da rua
Tem mais samba no peito de quem chora
Tem mais samba no pranto de quem vê
Que o bom samba não tem lugar nem hora
O coração de fora
Samba sem querer

Vem que passa
Teu sofrer
Se todo mundo sambasse
Seria tão fácil viver"

(Chico Buarque - Tem mais samba)

29 de junho de 2008

Sabiá fique por lá...


Pensar no futuro envolve relembrar o passado.
Nessa época de tantas mudanças, de conclusão de uma fase e início de outra, tenho recordado frequentemente alguns momentos inesquecíveis da minha infância.

As cantigas de ninar que as minha tia Socorro cantava pra mim me tocam até hoje e, quando aparecem na minha memória, eu sinto uma sensação boa... uma mistura de cheiro de mar com balanço de rede.

A cantiga do Sabiá era uma entre as mais cantadas por ela:

"Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho
voou voou voou voou
Juliana que gostava tanto do bichinho
chorou chorou chorou chorou
Sabiá fugiu pro terreiro
foi cantar no abacateiro
Juliana triste a chorar:
- Vem cá Sabiá, vem cá!
Sabiá responde de lá:
- Não chores que eu vou voltar".

Hoje, Juliana responde de cá: Não voltes se quer ficar.

Amar outrem é querer vê-lo feliz, independente do caminho que ele encontrou para a felicidade.

Quando eu morrer, quero que todos os meus órgãos sejam doados. E que minhas cinzas sejam jogadas sobre o mar em frente à casa azul e branca da tia Socorro (Tibau do Norte - RN).

Pensar do futuro envolve imaginar todas as situações que estão por vir.

8 de junho de 2008

Só sei que não sei o que me vem pela frente.


Eu não sei como vai ser a despedida: será que vou entrar no aeroporto chorando feito criança ou será que estarei aparentemente tranqüila, levando as poesias de Fernando Pessoa pra ler no vôo Brasília-Lisboa? Não sei onde vou morar: se vai ser num apartamento novo de uma velha senhora ou numa casa velha cheia de gente nova. Eu não sei qual vai ser minha impressão da cidade: se vou achar tudo muito diferente do que já vi ou se vou me relembrar das cidades portuguesas que conheci. Eu não sei qual vai ser o nível do mestrado: se terei que passar horas a fio, madrugadas adentro na biblioteca ou se vai dar tempo de ir até nas discotecas. Não sei se vou querer ficar em contato constante com vocês: ou se vou preferir me distanciar para me proteger e ir a procura de novas amizades, de lugares onde me sinto acolhida pra pra poder, um dia, dizer se vejo a possibilidade de construir minha morada em outro lugar que não a Pátria amada. Não sei quando venho à minha cidade natal: se virei sempre nas férias de agosto ou se vou morrer de desgosto de não poder vê-los tanto quanto gostaria.

Como vai ser chegar em casa sem ouvir minha mãe escutando blues? Como vai ser almoçar nos finais-de-semana sem a companhia do meu pai? Vou morar com chilenas e italianos ou polacas e mexicanos? Será que vou aperfeiçoar o meu português e voltar falando: "estás a falar"? Será que vou poder ligar para as minhas amigas daqui quando precisar? Será que finalmente vou aprender a gostar de pastel de Belém? E será que vou me apaixonar por alguém?

Não sei quando volto! Se venho a passeio ou pra ficar... será que vou conseguir um emprego por lá? Só sei que a hora é agora. Que eu preciso ir. E que irei aberta a novas pessoas e possibilidades...

Só sei que meu coração está contente de não saber o que me vem pela frente.


“Vou imprimir novos rumos

Ao barco agitado que foi minha vida

Fiz minhas velas ao mar, disse adeus sem chorar (mentiiiiiira! =)

E estou de partida (...)

Quero viver diferente

Que a sorte da gente

É a gente que faz"

(Novos rumos - Paulinho da Viola)


Foto: Eu na Torre de Belém (Lisboa) - vendo a vida passar...

18 de maio de 2008

Escrita terapêutica

Rosa tem 53 anos, é divorciada, tem 3 filhas e falta apenas 1 ano para se aposentar. Rosa é uma minhas clientes desde setembro do ano passado. No primeiro contato, é comum perguntarmos o que levou a pessoa a procurar a terapia. Se a gente percebe que há uma dificuldade por parte da cliente para trazer a demanda de forma clara, vamos passo-a-passo, utilizando determinadas técnicas para compreensão da história de vida daquela pessoa.


Na sessão seguinte, decidi realizar a construção do genograma. Vamos lá: nome do pai e da mãe, idade deles, morreram ou não, causa da morte; irmãos e irmãs de Rosa, idade e como se dá o relacionamento com cada um/a deles/as; nome do pai das filhas de Rosa; idade quando se conheceram e quando se separaram; causa da separação; nome das filhas de Rosa, idade...

"- Juliana, tá faltando incluir o meu filho".

"- Filho?" – respondi assustada porque nenhum filho havia sido citado no primeiro contato.

"- É, meu filho que faleceu com 5 anos...".

Tocar no assunto "- E como foi a perda do seu filho?" nunca acontecia sem ser ao lado da caixinha de lenço de papel... Esse assunto tocava Rosa de tal forma que a deixava impossibilitada de se abrir. Impotente e impossibilitada ficava eu, jovem estagiária, que não sabia como trazer um assunto de extrema relevância para que ela compreendesse como isso impacta na relação dela com as filhas hoje e, também, para a construção do vínculo terapêutico. Mas, a terapia, como toda relação, envolve respeitar o tempo, o espaço do outro e ir trabalhando cada assunto seguindo o ritmo do cliente... é como uma dança também, temos que aprender a se deixar levar...

Nesse meio tempo, trabalhamos os demais papéis de Rosa: mulher, professora, filha, irmã, amiga, divorciada... e ainda assim não senti espaço para trabalharmos aquele temido papel: o de mãe que sofreu uma perda.

Tive que recorrer à minha supervisora de estágio e ela prontamente me disse: "- Peça a ela pra escrever".

Eu não sabia nada sobre escrita terapêutica, então, fui atrás! E descobri que um professor da Universidade La Sapienza, Luigi Solano, autor do livro Scrivere per pensare (ainda não traduzido para o português) acredita que a escrita terapêutica ajuda a pessoas a descrever detalhes de experiências negativas, explicitar sentimentos, colocar os fatos em ordem cronológica e estabelecer nexos. Escrever sobre experiências traumáticas pode ajudar pessoas a refletir sobre si e superar a dor da perda. A escrita e a fala não se contrapõem, mas a fala possibilita o espaço para a associação livre (fundamental para o tratamento pois estimula que o cliente traga questões inconscientes), já na escrita, o foco é mais definido. É como se, ao serem colocados no papel, desejos, necessidades e emoções se tornam mais claros.

A Rosa?! Ah, depois que ela me trouxe duas páginas repletas de rabiscos, círculos manchados de tinta e muita dor, eu tenho observado o quão rico é ver as reações dela ao ouvir suas palavras por meio da minha voz. E assim, pouco a pouco, vamos mais à fundo nesse processo difícil, mas necessário, de enfrentamento da dor.

A terapia – seja ela verbal, teatral ou escrita – não é apenas para aqueles que apresentam uma demanda grave. É uma forma de auto-conhecimento.

E é por isso que eu estou aqui: para, ao escrever, me auto-conhecer.

Obs1.: Alguns dados foram alterados para preservar a identidade dela.

Foto: eu escrevendo - nesse caso, nada interessante, apenas conferindo as rifas dos formandos.